Ao longo dos últimos anos os portugueses foram aprendendo a viver em democracia, consciencializando-se sobre a política e os seus actos.
Hoje, a generalidade dos portugueses tem noção de que a política diz respeito ao governo dos homens e à administração dos bens, e, em particular, à organização e à direcção dos Estados. Considerada ciência, arte ou ideologia, é respeitada como algo necessário na actual fase evolutiva da Humanidade.
Necessária à Humanidade em geral, a política não requer de todos a sua atenção prioritária e a sua dedicação exclusiva. Os portugueses ter-se-ão habituado a não gastar muito tempo e energia com a política, mas terão aprendido a manterem-se atentos e a cumprirem os seus deveres cívicos.
Talvez por isso os actos eleitorais são normalmente bastante concorridos. Em democracia todos somos responsáveis pela forma como o país é governado, desde o livre exercício do voto. Mesmo quando é difícil escolher o melhor, fomos aprendendo a escolher, pelo menos, o mais razoável, ou menos mau. Para que não seja alguém a escolher por nós.
A política tem progressivamente deixado de ser encarada de forma clubística, para ser racionalmente ponderada. Muitos portugueses deixaram de se envergonhar de fazer opções de características diferentes em eleições presidenciais, parlamentares ou autárquicas. Mesmo em eleições para os mesmos órgãos políticos, muitas pessoas se orgulham de fazer opções inteligentemente diferentes, de acordo sobretudo com a época e os homens que servem as diversas formações políticas.
Curiosamente, as escolhas que os portugueses
têm vindo a fazer, parecem ser cada vez mais de pessoas do que de
programas (ou outras). Os programas partidários, de resto, têm-se
vindo a aproximar uns dos outros, quer no papel, quer, sobretudo, na prática.
E este não é um fenómeno local. Em diversos países
europeus e americanos a escolha parece ser também cada vez mais
de homens.
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Esta selecção de candidatos
é muitas vezes dificultada pelas campanhas de marketing político
que procuram esconder a mediocridade e exaltar as qualidades existentes
e, por vezes mesmo, as apenas potenciais. Muita retórica, algum
colorido e alguma demagogia podem confundir o eleitorado que busca competência.
Mas será de admitir que, a prazo, a
política seja cada vez menos um fenómeno retórico
para se tornar num fenómeno de competências, privilegiando,
de facto, os interesses do todo e minimizando os interesses partidários.