O que constitui a essência, aquilo que faz, de facto, que uma coisa seja o que é. A ideia principal, o necessário, o mais importante, o indispensável.
Quantas vezes o Homem no seu quotidiano perde de vista o que é essencial, distraindo-se com o que é acessório ou secundário. O homem comum dos nossos dias e mesmo as mais diversas personalidades históricas de todos os tempos.
Umas vezes temos dificuldade em discernir o que é verdadeiramente essencial. Outras vezes temos consciência do que mais importa, mas não lhe damos a devida prioridade. Por ser aparentemente mais fácil dedicarmo-nos às coisas secundárias, por nos distrairmos com as acções de terceiros, por nos deixarmos perturbar pelas nossas próprias insuficiências, como o comodismo, a cobardia, a vaidade, ou a ambição desmedida.
E, assim, tanta energia se perde de forma inglória, tanto tempo se gasta inutilmente, tantos recursos são desbaratados, tantos projectos lindos ficaram e ficam adiados.
Contudo, com o evoluir dos tempos, parece que o Homem se vai preocupando de forma crescente em se dedicar prioritariamente ao que é essencial.
Raciocinando sobre os assuntos, procurando nos seus momentos de maior serenidade concentrar o pensamento na busca das soluções mais apropriadas para os seus problemas, o Homem do final do século XX vai robustecendo a sua personalidade, de forma a conseguir delinear o seu próprio caminho de acordo com os seus mais elevados interesses.
A gestão do tempo e dos recursos é hoje muito valorizada, não só na gestão empresarial moderna, como também já na condução dos negócios públicos e, cada vez mais, aplicada à vida privada de cada um.
A atenção permanente, defendida por algumas correntes filosóficas orientais, vai sendo compreendida como imprescindível para que o Homem se mantenha vinculado ao cumprimento dos seus superiores objectivos. Compreendida, aceite e adoptada, num exercício de autovalorização crescente.
E ainda o controlo de acções, dos seus desvios e de cumprimento de objectivos que vai sendo utilizado pelas organizações colectivas as mais diversas, até ao agregado familiar e até ao próprio indivíduo. Neste último caso, de forma semelhante ao exame de consciência há muito propalado por algumas doutrinas ocidentais.
De cada vez mais e de cada vez melhor o Homem
parece saber distinguir o essencial do acessório, concentrando a
sua atenção e canalizando a sua energia para o que é
mais importante. Deste modo, cresce a capacidade de realização,
transfigura-se o sentido de utilidade e demonstra-se como existente a felicidade.