Há pequenas coisas na vida que nos agradam. Como gosto de parar o carro à beira-mar e dar um passeio a pé! A imensidão do oceano, o barulho das ondas, a maresia, o vento que sopra contribuem para que o meu pensamento se afaste por alguns minutos dos problemas do quotidiano. Descontraio-me. Acalmo. Sinto como que um revigoramento energético. Ao fim de 30 minutos ou uma hora sinto-me mais eu próprio.
Somos actualmente atraídos a viver nas grandes cidades, mantendo-nos fechados nos escritórios ou nas fábricas por longos períodos de tempo. Depois, sentamo-nos à mesa, durante as refeições, ou num sofá, a ver televisão ou a ler. Nas restantes horas dormimos. Ao fim-de-semana muitas pessoas visitam familiares ou amigos, assistem a espectáculos ou convivem em recintos fechados e habitualmente poluídos.
O exercício físico é muitas vezes esquecido, principalmente nos homens, já que as mulheres desenvolvem com elevada frequência tarefas caseiras. O contacto com a natureza torna-se esporádico para muitos de nós e os momentos de reflexão por vezes rareiam.
Assim, temos assistido nos últimos anos ao incremento das actividades desportivas, do "jogging", dos passeios de bicicleta , etc., o que procura ser uma compensação para a nossa vida sedentária. Contudo, muitas destas actividades ainda são praticadas em recintos fechados ou em áreas fortemente poluídas, nomeadamente nas vias de grande ou razoável tráfego automóvel, o que é francamente desaconselhável.
Também tem sido ultimamente preocupação de muita gente a preservação dos grandes espaços verdes do planeta, a eliminação ou diminuição de actividades grandemente poluidoras, a rectificação de atitudes destruidoras da natureza, etc. Porém talvez se pudesse fazer em Portugal algo mais concreto para conservar as enormes riquezas naturais que possuimos. Poderemos ser pobres noutras coisas (ou pelo menos queixar-nos como tal), mas quem "possui" o Gerês, a ria de Aveiro, a Serra da Estrela, o Caramulo, a costa alentejana, as praias algarvias, a Madeira, os Açores e tantas outras maravilhas da natureza, deverá considerar-se rico e solicitar aos poderes instituídos que administrem convenientemente toda essa riqueza colectiva.
Entretanto, talvez possamos visitar com mais frequência esses cantos e encantos do país. Ao contactarmos com a natureza, podemos usufruir de uma certa felicidade, podemos sintonizar com ela, criando condições para vivermos de uma forma mais harmoniosa.
E, para além dos grandes espaços, a natureza está aí por todo o lado, à nossa disposição: os jardins municipais, as margens dos rios, os pequenos bosques ou pinheirais, as imensas praias. Então não nos será favorável criarmos o hábito de fazermos frequentemente um passeio a pé numa zona calma, perto da nossa área de residência?
E, se aproveitarmos esses momentos de contacto
com a natureza para meditarmos um pouco, talvez possamos encontrar com
mais facilidade as soluções para os problemas que nos surgem...,
talvez possamos aprender a viver melhor...