Há quem valorize o facto de ter nascido neste extremo ocidental da Europa, que há alguns séculos é conhecido por Portugal. Outros sentem-se mais cidadãos do mundo, pensando que não é assim tão importante terem nascido aqui ou ali.
Talvez o número dos primeiros seja decrescente, em favor dos segundos, graças à evolução tecnológica que hoje nos permite conhecer o que se passa do outro lado do planeta no espaço de breves horas, ou deslocarmo-nos com uma rapidez certamente impensável há apenas algumas décadas atrás.
Em ambos os grupos haverá quem sinta satisfação em usufruir de um clima temperado, de residir numa terra fértil, de conviver com pessoas de costumes moderados, ou de integrar uma sociedade com acesso relativamente fácil às últimas (ou pelo menos às penúltimas) inovações da ciência e da tecnologia.
Mas também existem descontentes por não viverem num país com maior rendimento por habitante, com maior peso específico no plano internacional, dotado de melhores vias de comunicação, com maior disponibilidade de divertimentos, ou com uma só estação por ano - o Verão, naturalmente...
Talvez até em cada um de nós exista um pouco de tudo isto e a nossa opinião vá evoluindo algo em consonância com o meio ambiente. Ainda não há muitos anos alguns de nós diziam repetidamente: "Angola é nossa!". E agora outros (ou os mesmos) dizem frequentemente: "estamos na Europa!".
Em Portugal, como em qualquer outro país, há situações mais agradáveis e situações algo desagradáveis, motivos de satisfação e problemas intrincados e de difícil solução; pessoas mais capazes para enfrentarem vitoriosamente os problemas e pessoas menos habilitadas para os resolver.
Não vivemos no "paraíso",
como não estamos condenados ao "inferno". Aqui como em nenhum outro
ponto do planeta.
E a verdade é que, ao longo dos
séculos, alguns portugueses têm sabido vencer os problemas
que os afectaram, conseguindo ser verdadeiramente úteis a si próprios,
àqueles que os rodeavam de perto, aos portugueses em geral e até
à própria Humanidade.
Aqui, como noutros pontos do Globo, tem havido gente capaz de atingir notoriedade a nível internacional, como tem havido gente capaz de se arrastar, ao longo de uma vida, lastimando as suas desgraças, as dos vizinhos, as dos amigos e as dos desconhecidos, mantendo-se impotente para construir ou ajudar a construir seja o que for.
O acaso não existe. Quem pensa as soluções inteligentes, lógicas, racionais para os problemas e actua em consonância, de forma equilibrada e persistente, sempre vence. Em Portugal, como em qualquer outro país.
Somos e seremos o que os 10 milhões de portugueses quiserem. Em nossas casas, na nossa vida profissional, nas agremiações de que fazemos parte e no todo que é o país. O nosso sucesso individual depende de nós próprios. O nosso sucesso colectivo depende de todos nós.
Há que raciocinar que as nossas facilidades ou dificuldades do presente se devem às nossas atitudes do passado. O ambiente em que vivemos foi o que escolhemos. O Governo e o poder autárquico que temos é o que merecemos.
Há que trabalhar, com confiança em nós próprios, com a convicção de que quem se esforça pela solução dos seus problemas sempre os consegue ultrapassar (ainda que aqui ou ali seja bastante difícil ou um tanto demorado), com a certeza de que no presente preparamos o nosso futuro. Se cada um trabalhar sem ficar à espera dos outros, seremos, de facto, 10 milhões de trabalhadores, na verdadeira acepção da palavra.
Ao trabalho acrescido, seguir-se-á
um maior sucesso, um maior bem-estar colectivo. A nossa identidade será
reforçada. Aumentará o respeito dos outros povos. Mas...
só se cada um dos 10 milhões quiser.