Literatura
Rosangela Scheithauer
Os objetos literários muitas vezes são imateriais, pois geralmente encarnam em veículos de papel. Houve, entretanto, um tempo em que eles encarnavam na voz de quem recordava uma tradição oral, ou entalhados em pedra, e hoje estamos discutindo o futuros dos livros digitais.
Mas para que serve esse bem imaterial, a literatura? Quais funções tem ela na nossa vida individual e social?
A literatura mantém a língua em exercício e, sobretudo, a mantém como patrimônio coletivo. A língua, por definição, vai para onde ela quer, nenhum decreto superior, nem político nem acadêmico, pode interromper seu caminho nem desviá-lo para situações que se pretendem ótimas. Vejam o destino do nosso idioma, o português de Cabral e Camões, hoje é o português de Drummond, Sant`Anna, Eça e dos jovens que formam nossa atual sociedade. A lingua vai para onde quer, mas é sensível às sugestões da literatura. A prática literária também mantém em exercício nossa lingua individual. Hoje muitos lamentam o surgimento de uma linguagem neotelegráfica que se impõe por meio do correio eletrônico e das mensagens nos celulares, em que até para dizer „te amo“ se usa uma sigla. Mas não podemos esquecer que os jovens que trocam mensagens utilizando essa nova taquigrafia são, ao menos em parte, os mesmos que se apinham nas novas catedrais do livro, as megalivrarias, onde, mesmo que só folheando sem comprar, eles têm contato com estilos ocultos e elaborados, aos quais não foram expostos nem seus pais nem seus avós.
Sou fã da tecnologia, dos e-mails, internet e celulares. Não sou nenhuma Eça, Drummond ou Sant`Anna, mas à minha moda também estou contribuindo para o futuro da nossa literatura. Estou tentando manter viva a nossa lingua.
Se não fosse a internet, não teria chegado onde cheguei. E nem vocês estariam agora me lendo.
Viva o mundo digital!
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