29 de agosto de 1999
Acordei às dez da manhã. Tomei café
muito devagar, sono ainda.. Fiz inalação pra melhorar
a respiração, que ainda está ruim. Depois
fiquei lendo Rousseau. Aliás, não gostei.
Meu irmão chegou do curso que ele está fazendo
e nós ficamos conversando. Ele disse que traria a namorada
aqui em casa e isso foi motivo de discussão. Agora ele
deu de trazer ela sempre aqui e, desde que eu me entendo por
gente, visitas nessa casa são um martírio. A gente
dá graças a Deus de não ter muitos parentes
morando em São Paulo. O problema é que agora ele
quer trazer ela aqui sempre e meus pais, embora não gostem,
não falam nada. Eu acabei tendo que falar.
- Não, quem tá namorando com ela é você,
não é a gente. Visita tira a liberdade da gente.
Ela não vai vir aqui não. São três
que não querem contra um que quer.
Eu falei muito e ele acabou, como é de costume, ficando
emburrado. Meu irmão parece criança, às
vezes. Eu não sei o que ele pensa, como é normal,
mas parece que ele acha que meus pais fazem mais por mim que
por ele. Só que nunca negaram nada pra ele, nada mesmo.
Sei lá, deve ser algum trauma de infância. O que
eu sei é que não dá pra ficar vindo estranhos
aqui. Isso mesmo, o que ela é para nós, além
de uma estranha? Minha casa não tem estrutura pra alojar
ninguém de fora. Até meus amigos, quando vêm
aqui, eu faço o máximo pra eles ficarem pouco tempo
aqui dentro, pois não me sinto à vontade e sei
que atrapalha a rotina de minha família. Ele ficou emburrado
e depois do almoço pegou o telefone e disse: "Eu
vou ligar pra ela e falar pra ela não aparecer aqui de
jeito nenhum." Minha mãe olhou para mim e eu disse
pra ela "É bom mesmo". Depois de telefonar
ele já estava falando normalmente comigo.
Maurício ligou, dizendo que iria passar na casa do Paulo
e logo depois passaria aqui para me pegar. A gente iria assistir
Matrix pela segunda vez. Eu arrumei minha roupa, calça
jeans, camiseta e camisão por cima. Na hora marcada Paulo
me chamou no portão e eu ainda fui atendê-lo de
pijama. Foi aí que eu vi que todos os dois estavam de
bermuda. Eu entrei para me trocar e eles esperaram na frente
de casa. Tive que pegar uma outra roupa, rapidamente, para poder
sair. Acabei nem gostando da roupa que escolhi, mas não
tinha tempo. Fomos até o Cinemark do Interlar Aricanduva.
No carro, Paulo foi me contando de como estava seu namoro e eu
disse que estava revoltado com o que acontecia entre Nívea
e eu.
- Não sei, mas eu acho que rola alguma coisa entre vocês.
- disse ele.
- É, eu também noto, fora quando ela fala que nós
somos amigos. Quer saber, eu acho que vou ter que apelar para
beijar logo de uma vez.
Ele me cumprimentou e disse:
- Putz, é isso mesmo Luiz, chega e agarra. O que ela pode
fazer? Eu acho que ela quer. Talvez ela faça isso só
pra te testar, igual a menina que eu fiquei na Lituânia.
Você fala que sempre que você dá entradas
ela fala que você é amigo. Eu também, sempre
que dava investidas nela ela falava do namorado, que não
sei o que, mas no final, acabamos ficando.
Eu estou pensando no que fazer mas ainda não sei. Eu penso
demais. Chegamos a conclusão de que, embora um pouco tarde,
nós estamos aprendendo como se faz. Só precisamos
"praticar" mais.
Chegamos no cinema e pegamos uma fila grande. Faltavam cinco
minutos pra começar a sessão. Decidindo se iríamos
mesmo assistir Matrix, ficamos conversando. No final, a sessão
do Matrix lotou, faltando umas cinco pessoas pra chegar em nós.
Decidimos assistir Star Wars.
Entramos na sala e o filme já tinha começado. Arranjamos
um lugar muito perto e muito ruim para sentar, mas não
tinha outro melhor. E mais, não é que no meio da
sessão me deu um acesso de tosse? Tive que sair pra comprar
um drops. Foi quando reparei que aquele Cinemark tem uma característica
que eu achei idiota. Quase tudo é escrito em inglês.
Será que nós somos colônia mesmo? Eu acho
que ainda não e, portanto, para eles levarem nosso dinheiro
tinham que pelo menos falar a nossa língua. É o
snack bar, o restroom, a exit, que coisa ridícula. Bom,
comprei o Halls, por R$ 1,00, um verdadeiro assalto e um refrigerante
pequeno por R$ 2,00, para completar o crime. Voltei pra sala
e acabei de assitir o filme. Nada a comentar sobre isso, pois
o filme é bem fraquinho.
Fomos embora e Maurício deixou Paulo no metrô Tatuapé,
pois ele tinha que ir para a reunião do Movimento Humanista.
Depois passamos na casa do Marcus, mas ele ainda não tinha
chegado do Rio de Janeiro. Voltei para casa.
Minha mãe falou que meu irmão disse que já
que eu tinha saído, poderia ter trazido sua namorada aqui.
Eu fiquei bravo com minha mãe, pois, eles não gostam
de visitas mas fui eu quem tive que falar para ele não
trazê-la aqui. E eu lá mando alguma coisa? O pior
é que sou eu quem fico com fama de ruim. Meus pais disseram
que conversaram com ele e explicaram tudo, mas não sei
se ele entendeu. Ou ele está se fazendo de idiota.
Agora estou aqui, escrevendo meu diário, quando acabar
vou mexer um pouco na internet e depois tomar banho e dormir.
O dia acabou. Amanhã começa tudo de novo. Que fim
terá?


