25 de agosto de 1999

Acordei às oito e fiquei por aqui, em casa. Eu acordei pensando na viagem para Brasília que o pessoal ia fazer, para a marcha dos 100 mil. Eu queria ir, mas não tinha dado meu nome nem para a lista de espera dos ônibus. Resolvi ligar para uma amiga da faculdade, que tinha me falado que iria, e perguntar se ainda tinha jeito de eu ir. Ela disse que, às cinco horas, todos os que iriam sairiam da aula de geografia em esperariam o ônibus. Eu combinei de ir com eles, afinal, como não era necessário arrumar mala e nem nada, pois só ficaríamos um dia lá, eu não tinha nada a perder esperando lá para ver se me conseguiam uma vaga. Fiz musculação e quando deu meio dia e eu saí pra ir pra faculdade. Quando cheguei no ponto de ônibus, encontrei um colega meu. Eu o conhecia da faculdade e pensei que ele estava de passagem por lá. Quando fui perguntar pra ele, quando conversamos, descobri que ele mora praticamente na rua de baixo da minha casa. É mole? O melhor, ele me ofereceu carona para ir pra lá, exceto nas quartas feiras, que é o dia do rodízio dele. Fomos conversando até a faculdade e ele me contou que estava irado pois sua namorada tinha terminado com ele. Eu contei algumas histórias minhas, mas não tinha muito o que contar, pois meus casos já estão até obsoletos. Ás vezes eu contava duas histórias que aconteceram com a mesma menina, dando a entender que eram meninas diferentes. Ah, eu não podia ficar para trás. Ele disse que achava o pessoal da faculdade meio estranho, cheio de panelinhas e que o pessoal da PUC, onde ele faz jornalismo, era muito mais unido e depois me disse que poderia combinar comigo de a gente sair junto com o pessoal da outra faculdade dele. Eu aceitei. O cabo do trolebus soltou quatro vezes no caminho, mas enfim chegamos.
Fomos para a sala de aula, que não estava lá muito legal. Na hora do intervalo, todos os que iriam se aprontaram e despediram-se dos amigos. As meninas se despediram de mim e de meus amigos quase chorando. Eu achei aquilo incrível, mas elas estavam realmente preocupadas com o que poderia acontecer com a gente. Desejaram-me sorte, para que eu conseguisse uma vaga e para que nada de mal nos acontecesse. Eu disse para elas não se preocuparem, pois eu não iria como militante e sim como antropólogo. Fomos para o ponto de encontro.
Ficamos conversando das cinco até as sete, que foi quando começaram a chamar os nomes das listas para irem entrando no ônibus. Eu fiquei lá, aguardando, mas tinha certeza de que não iria sobrar vaga para mim. Encontrei uma amiga minha e ela achou legal que eu fosse, mas, quando eu disse que só iria se conseguisse um lugar no ônibus em que meus amigos iriam, ela me disse que eu só iria pela farra do ônibus. Eu nem respondi, mas não gostei de ouvir aquilo.
Meus amigos, Flávio e Roberto, fizeram de tudo pra conseguir que eu fosse e eu fiquei até comovido com a dedicação completamente desinteressada do Roberto, que fez tudo, tudo o que podia fazer (e sem ser sacana, sem prejudicar ninguém) para que eu conseguisse um lugar no ônibus. Esperei até sete e meia, quando o organizador da caravana disse que quem tinha sobrado, que subisse no ônibus que quisesse ir. Eu corri para o ônibus onde estavam meus amigos e me sentei. Estava muito, muito contente e agradeci muito à força que Roberto tinha dado. Sete e meia o ônibus estava saindo. Pegamos um trânsito bem pesado para sair de São Paulo, mas logo estávamos na rodovia dos Bandeirantes. Engraçado que, logo na primeira vez em que eu saía do estado de São Paulo era exatamente pelo mesmo caminho que eu sempre peguei para ir para Batatais. Aliás, paramos no mesmo posto que eu sempre paro com meus pais, o posto Castelo. De lá eu liguei para minha casa, confirmando minha partida, pois não tinha conseguido ligar antes, já que eu tinha que ficar lá, aguardando para arranjar um lugar. Comi uma coxinha, falei por um minuto com Nívea e às dez e quarenta saímos do posto. Tínhamos ficado parados por uma hora.
Fui conversando até o ônibus chegar em Ribeirão Preto, quando eu comecei a cochilar. Eu fiquei em um dorme-acorda por um tempão, mas quando o ônibus chegou em Uberaba eu apaguei de vez. A última coisa que vi foi uma placa com uma seta indicando a direção em que ficava a estrada que levava à Brasília. Marcha dos 100 mil, aqui vou eu! E eu dormi como um anjo.


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