21 de agosto de 1999
Vai-se mais um dia e nada de muito interessante eu
tenho a registrar. Hoje eu acordei às dez, precisava disso,
viu? Estava cansado. Fiquei aqui pela casa, à toa, esperando
meu irmão chegar pra cortar meu cabelo. Ele chegou, pegamos
a máquina e fomos pro fundo do quintal. Eu coloquei meu
espelho pendurado na parede, sentei no banquinho e o Figaro começou
seu serviço. Eu sempre tenho medo de cortar o cabelo com
ele, afinal, ele não tem noção de como se
faz isso. Mas meu corte é simples, só passar a
máquina e da última vez que eu pedi pra ele fazer
isso ficou legal e eu economizei uma grana. Se bem que dessa
vez eu queria inventar moda. Não queria apenas rapar,
queria deixar o topete e fazer umas listinhas do lado, com a
máquina zero.
Ele começou a cortar e a máquina acabou a bateria.
Ligamos ela na força e ela não funcionou.
- Tudo bem, agora eu fiquei com o cabelo meio cortado. - brinquei.
Ele fuçou, mexeu na máquina e nada dela funcionar.
Ele me disse:
- Agora você vai no barbeiro e diz que quer cortar, mas
só paga dois e cinquenta.
Ele disse isso porque o corte custa cinco reais.
Depois de um tempo, ela voltou a funcionar. Ele continuou a cortar
e tava ficando muito, muito estranho. Eu resolvi que iria deixar
o topete mesmo, marquei com o pente e puxei o topete para baixo,
pra que ele pudesse passar a máquina sem cortar aquela
parte. No final ficou até que legal, mas eu preferi não
arriscar deixá-lo fazer as listras no lado, pois assim
não teria como consertar se desse errado.
Hoje vou sair com meus amigos. Presença confirmada de
Paulo e Maurício. Paulo acabou de me ligar pra confirmar
o local de encontro e horário, e me disse pra chamar a
Ângela. Mas eu não sei se vou chamar. Talvez eu
fique mais tímido pra chegar nas garotas se ela estiver
por perto, ela é íntima demais. As outras meninas
que vão, que o Paulo chamou, eu nem conheço, então
elas não atrapalhariam nada, eu não me importaria.
O certo mesmo era ir só os caras, na verdade, não
sei nem se Maurício é uma boa pedida pra esse tipo
de programa. Esse Paulo tem cada uma... Uma hora ele fala que
quer mudar de atitude, sair pra zoar na noite e na outra, quando
a gente arranja lugar pra ir e fazer o que tem que ser feito,
ele chama um monte de gente. Pô, não é uma
saída normal, pelo menos para mim. É uma saída
estratégica. Um lugar onde eu iria me testar... bom, sei
lá. Vamos ver no que vai dar.
De tarde eu entrei na Internet e encontrei Lilian, uma amiga
minha. Eu não falava com ela já há muito
tempo. Eu a conheço desde o colegial e agora estamos estudando
na USP, só que ela faz Administração. Ela
estava meio brava comigo porque me mandou um monte de mensagens
e eu acabei esquecendo de responder, mas depois ficou tudo normal.
Bom, amanhã eu volto contando como foi a noite. FUI!


