Boca Maldita

 

  Vivo na boca
Da espera maldita
Do dia em que essa desdita
Vai se consumar.

 

  São tantas ameaças
Conselhos, avisos
Que chego a pensar
No sonho, de um dia,
Esse dia realmente chegar.

 

  E, em meio ao pesadelo
Me viro e rolo
Na noite do sono perdido

 

  Sem saber
Que tantas vezes
Não fiz senão temer
O medo de tudo já ser
O fim da pena
Que tanto penei.

 

  Será possível imaginar
Poder alguém gostar
De viver assim aflito,
Conflituado, angustiado,
Por uma sina qualquer
Traçada pela mão
De quem é vil?

 

  Que temer
Se tudo não passa
Da passagem sideral
De uma nave natural
Nos céus
das galáxias celestiais?

 

  Como conceber
Passar pela vida assim
Sem elos, sem eira nem beira,
Livre de tudo e de todos
Sem responsabilidades ou compromissos
Senão aquele que te imputa
A mão vil que te oprime.

 

  Como abdicar dessa luta
Como abrir mão de ser livre
Pela ilusão da paz que te concede
O desprezo e a indiferença
Daquele que não te teme
Porque te manipula ao seu bel-prazer.

 

  Não! Basta de alienação

 

  É preciso encontrar uma solução.

 

  Fernando A.Moreira

 

 

 

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